Desde os anos 70 que eu me acostumei ao reggae que toca no rádio. Aquele com graciosas pitadas de pop e harmonias pegajosas. Então, que tal curtirmos quase quarenta e dois minutinhos de uma salada musical com canções nacionais e internacionais fincadas na Jamaica?

Abrindo, o clássico Bob Marley com a bucólica e datada STIR IT UP. Lenta e com uma melodia amorosa e sedutora, essa pérola foi composta e gravada por Marley bem antes de entrar no seu disco de 1973 chamado Catch a Fire. A letra diz “oh, will you quench me while I’m thirsty? Come and cool me down when I’m hot? Your recipe, darling, is so tasty, and you sure can stir your pot”. Essa é uma clássica que tipifica bem que também há muita qualidade no estilo.

Depois, Titãs com GO BACK, que tem um arranjo influenciado por STIR IT UP. Esta canção foi lançada em 1988 como single para o álbum Go Back e já foi regravada pelos Paralamas do Sucesso. Básica, GO BACK faz muito sucesso nos shows da banda. Os vocais lentos dão um tom bem reflexivo à canção… Os teclados que marcam toda a melodia também são uma marca registrada do estilo adotado.

A terceira é uma música muito forte com belíssimos solos de guitarra. E belos solos de guitarra são a principal arma de Santana. WINNING foi lançada em 1981 e composta Russ Ballard, que lançou em seu disco 1976. Cinco anos depois, Santana fez sua própria versão, tornando WINNING número dezessete na parada da Billboard de maio de 81. A versão de Santana teve muito mais consistência por diversas razões: as belas intervenções da guitarra acesa de Carlos Santana, o tempo da música é mais alto em relação à original e os vocais infectados pelo bom e velho rock ‘n roll de Alex Ligertwood. Apesar de ter sido um sucesso, WINNING ainda é pouco encontrada em coletâneas de Santana.

Paralamas do Sucesso com ENCRUZILHADA, de seu primeiro disco (Cinema Mudo), vem na sequência. O disco Cinema Mudo foi lançado em 1983 e vendeu cinco mil cópias inicialmente, e 90 mil até hoje. Essa canção foi uma das quatro faixas que fazia parte da fita demo que foi enviada à Fluminense FM em 82 – só que com o nome de ENCRUZILHADA AGRÍCOLA-INDUSTRIAL. As guitarras e a batida dessa despretenciosa música são de humor característico de Herbert Viana e sua turma. Grande lembrança.

Então, em seguida, temos uma das melhores do Simply Red, que foi lançada em seu disco de 1989. MORE é um reggae com muita sofisticação e uma sutileza ímpar. O arranjo do refrão é muito poderoso e os vocais de Mick Hucknail apimentam ainda mais a ótima produção. Uma de minhas favoritas do grupo… More love!

A sexta é uma releitura de Evandro Mesquita para A DOIS PASSOS DO PARAÍSO, e que foi lançada em seu álbum solo Almanaque Sexual dos Eletrodomésticos e Outros Animais de 1991. A original fez parte do segundo disco da Blitz e é seu maior sucesso. Nos shows atuais do grupo, A DOIS PASSOS DO PARAÍSO contém um trecho de STIR IT UP, que revela a fonte inspiradora da canção. É uma clássica nacional que ainda nos faz um bem danado!

Hall & Oates com o ótimo reggae NUMBER ONE, lançada em 1979, aparecem logo em seguida. Aqui neste set, temos a versão longa, com todo o swing da sua levada. A produção de NUMBER ONE segue à risca a receita das canções da Jamaica nos anos 70. Guitarra solando e baixo ondulando, além, claro, da batida deslizante das baquetas. NUMBER ONE foi lançada no álbum X-Static de Daryl Hall e John Oates que teve a produção de David Foster. É uma das mais viscerais interpretações de Daryl…

A antepenúltima é Sangue da Cidade e BRILHAR A MINHA ESTRELA, que fez parte da trilha sonora do filme Tropa de Elite por causa da admiração do diretor pelo grupo. Originalmente lançada em 1983, este reggae foi um dos pioneiros naquela safra do rock nacional. A letra e a melodia são ótimas! O título seria DÁ MAIS UM, mas para evitar problemas com a censura à época foi alterado para BRILHAR A MINHA ESTRELA – que tranformou o Sangue da Cidade num sucesso nacional.

A penúltima é com um de meus grupos dos 80 favoritos… Laid Back e a versão doze polegadas pra SUNSHINE REGGAE. Ainda lembro de estar em Fortaleza, num ônibus fazendo uma city-tour, e ouvir no som ambiente SUNSHINE REGGAE. Deve ser por isso que a canção ficou com o gosto daquela viagem… Fez parte do segundo álbum desta dupla e não fez sucesso algum nos Estados Unidos. É uma canção tola, mas deliciosamente romântica. Uma de minhas favoritas de todos os tempos pelo gosto de lembrança boa que ela tem. Essa é uma que não vai deixar meu passado nunca mais.

Fechando, Gilberto Gil e a versão instrumental de VAMOS FUGIR. Essa canção é uma das músicas mais famosas de Gil e foi composta em parceria com o produtor Liminha. A letra é muito gostosa e descreve praias e cenários naturais na proposta de fuga que a letra apresenta. Foi regravada por várias bandas, como Skank, fazendo com que o sucesso da música chegasse a uma nova geração.

Pronto pra um sábado jamaicano? Então, clique no link abaixo e curta!

SALADA REGGAE POP

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s